Notícias Fundação arquia


César Portela na arquia/filmoteca

13 MAYO 2015 / FILMOTECA

Dentro do ciclo de Arquitetura Periférica, realizado pelo Colégio Oficial de Arquitetos de Granada em 1995, César Portela (Pontevedra, 1937), proferiu esta conferência na qual apresentou as obras da Ponte de Azuma, no Japão. A Escola de Belas Artes na Cidade Bolívar, o farol de Punta Nariga em Malpica (A Corunha), o Passeio Marítimo da Ferradura em Granada e o edifício da estação de autocarros de Córdoba. Aceda à sua visualização em http://kcy.me/239xl.

Destaca-se de entre as obras, pelo invulgar e pela poética da apresentação, a Ponte de Azuma, realizada em 1992 em Toyama, Japão. Um encargo numa cultura com características muito diferentes do ambiente próximo de César Portela, com um tratamento do espaço e uma arquitetura próprios e de um elemento, uma ponte, que se afasta dos projetos associados à figura do arquiteto.

‘Quando, ao nos deslocarmos por um território, tropeçamos num acidente geográfico ou num qualquer obstáculo, tentamos evitá-lo. Os rios, transpomo-los e, quando não conseguimos, construímos uma ponte. Uma ponte é «uma fábrica de madeira, pedra, tijolo, betão ou ferro que se constrói sobre os rios para os podermos passar», mas também deve ser «um poema estendido entre as duas margens». A solução proposta, para além de uma passagem, possibilita a estadia, constitui um refúgio para nos proteger das condições meteorológicas adversas e um miradouro para contemplar o ambiente. Formalmente, consiste em três corpos bem diferenciados.

Um central alargado, a passagem, mais baixo, mais leve e mais calmo, com cobertura a duas águas e aberto pelas laterais. Este volume é delimitado e flanqueado por outros dois corpos, de piso quadrado e de altura mais elevada – fechados perimetralmente com vidro e cobertos a quatro águas– que, como baluartes, definem as cabeceiras da ponte. De noite, estes corpos iluminados assemelham-se a grandes lâmpadas que articulam e delimitam o rio. Através destes corpos acede-se às margens (o firme, o mundo da realidade), ao rio (o fluído, o mundo da fantasia). A arte japonesa, nos seus momentos mais tensos, quando atinge os topos mais altos, revela-nos esses instantes de equilíbrio entre a realidade e a fantasia, entre o estático e o dinâmico, entre a vida e a morte. A dialética funcional, formal e construtiva que se estabelece entre estes três corpos e, entre eles, as margens e o rio, constitui a essência do projeto. A arquitetura japonesa, nos seus exemplos mais lúcidos, mostra-nos uma simbiose perfeita entre a fantasia formal e a economia de meios, coincidindo desta forma com as melhores arquiteturas ocidentais de todos os tempos.’ Texto original da página do projeto na página web de César Portela. Acesso ao projeto em http://kcy.me/1g995

A visualização deste audiovisual na arquia/filmoteca é possível graças à colaboração do Colégio Oficial de Arquitetos de Granada.

 

 

mi área privada