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Ciclos de autor | Quando o cinema se antecipa à arquitetura: projetos visionários nos ecrãs

22 ABRIL 2015 / FILMOTECA

Jorge Gorostiza inicia os ciclos de autor na arquia/filmoteca. Na sua conferência Cuando el cine se adelanta a la arquitectura, proferida no dia 3 de setembro de 2008, no Ciclo Arquitectura y Cine Intercambios en vanguardia organizado pelo COAM e coordenado por Javier Hernández Ruiz, Jorge Gorostiza seleciona 5 audiovisuais da Filmoteca que ilustram a suas palavras e dão forma a este primeiro ciclo.

«Não faz sentido apresentar os ecrãs como sendo o local onde se pode ver o que vai acontecer no futuro. A ciência da ficção cinematográfica, tal como a literária, emprega o futuro para explicar e analisar o presente em que foi apresentado. A arquitetura e as cidades que são apresentadas nos filmes que decorriam num futuro e que já passou, como em Fantasias ou 1980 (Just Imagine) que decorria em 1980, não são as que realmente existiram, mas isso não impede que as suas morfologias sejam fundamentais para compreender o momento em que foram filmadas.

A vida futura (Things to Come), baseada num romance do visionário H. G. Wells, alerta sobre os perigos da 2.ª Guerra Mundial que deflagraria três anos depois da sua estreia, mostrando um planeta destruído, repleto das sempre sugestivas ruínas das edificações do século XX, mas para além disso apresenta para o ano 2036 uma nova megacidade que, ao contrário da proposta por Fritz Lang para o ano de 2027 na sua Metrópole, é completamente subterrânea, como em O Túnel (The Tunnel), uma cidade onde, como um idoso diz a uma menina, já não são necessárias janelas, uma mistura de distopia e utopia conseguida num filme singular. Não nos devemos esquecer que A vida futura foi dirigida por um grande profissional da cenografia, o primeiro “production designer”, William Cameron Menzies. Nela, para além da arquitetura e da cidade do futuro, podemos desfrutar de uma sequência fundamental: a construção de uma metrópole subterrânea, devida à conjugação de László Moholy-Nagy (não deixem de assistir ao seu documentário Impressionen vom alten Marseiller Hafen) e ao compositor Arthur Bliss e que deve ser apreciada situando-se nos anos trinta do século passado, mas sem esquecer que pode sempre aproximar-se alguma catástrofe.» Jorge Gorostiza

Mais informações sobre o arquiteto Jorge Gorostiza no seu blogue ARQUITECTURA+CINE+CIUDAD.

A Fundação Arquia, agradece a Jorge Gorostiza todo o apoio e entusiasmo que demonstrou no projeto da Mediateca de arquitetura.

 

 

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