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A Bronx Morning de Jay Leyda na arquia/filmoteca

08 JULIO 2015 / FILMOTECA

Descrita como uma sinfonia urbana, A Bronx Morning é, concomitantemente, um exercício de cine amateur e um documento da vitalidade incombustível de Nova Iorque no apogeu cosmopolita dos anos 30. Um trabalho despretensioso do único diretor estadunidense que pode gabar-se de ter sido colaborador direto de Sergei Eisenstein: Jay Leyda, membro da Workers Film and Photo League e participante no El prado de Bezhin, um dos três filmes inacabados do diretor de El acorazado Potemkin.

De forma semelhante ao audiovisual MANHATTA de Charles Sheeler e Paul Strand, Leyda revela os temas da modernidade que estavam a ser tratados em vários trabalhos modernistas e vanguardistas do momento. Mas enquanto Manhatta se centra nos espaços urbanos e no conceito de alienação e despersonalização, A Bronx Morning foca-se nas pessoas, enfatizando o sentido de comunidade entre os moradores do Bronx cujas rotinas são captadas no audiovisual, com uma abordagem mais participativa que o mero enfoque observador de MANHATTA.

O espetador é introduzido no Bronx graças a uma elevada vista panorâmica das janelas de um comboio, com um jogo de luzes, sombras, linhas e estruturas distorcidas que se movem a alta velocidade dificultando a sua identificação. Posteriormente, passa-se a uma montagem com vista para o bairro, onde são oferecidas as atividades diárias dos moradores e cenas de negócios locais. Esta abordagem evoca o prelúdio do audiovisual Berlin de Ruttmann, onde a abstração, quase desnorteante, é seguida de uma perspetiva que serve para a naturalizar e recontextualizar. Leyda utiliza este processo para atrair a atenção do espetador, passando, por exemplo, de grandes fachadas para detalhes de unidades individuais e induz a um sentido de perceção e concretização da experiência de um espaço definido num momento específico.

As aparições contínuas de imagens de lojas revelam a preocupação de Leyda em plasmar o estado da economia americana em 1930-31. Este aspecto é claramente refletido no filme através de imagens de anúncios de saldos e descontos nas janelas das lojas.

Referências:

http://www.makimono.es/a-bronx-morning-1931/

http://artandcultureofmovies.blogspot.com.es/2014/06/a-bronx-morning-1931.html

 

 

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